imagem 728x90

Depressão na atualidade

Depressão é um tema amplo

Por Nação Sampa News em 05/03/2021 às 18:05:35
Kamila Faro: Assessora Interina de Comunicação do Portal Nação Sampa News

Kamila Faro: Assessora Interina de Comunicação do Portal Nação Sampa News


Kamila Faro

Psicóloga, com especialização em Transtorno do Espectro Autista

Atuante na área Clínica e Psicologia Social

Espectro Político: Centro Esquerda

Assessora Interina de Comunicação do Portal Nação Sampa News

Coluna: Psikalise e Política


Depressão na atualidade Depressão é um tema amplo, mas que em conjuntura com a história vem trazendo suas repercussões, e infelizmente hoje na atualidade, fazendo parte das vivências e convivências de diversas pessoas. Abordarei o tema em seu sentido mais geral, mais social. E não como um quadro clínico do indivíduo, que entra no espaço terapêutico, com determinados sintomas.

Para isso usarei como referência, Maria Rita Kehl que é psicanalista e recentemente lançou um livro chamado: "O tempo e o cão a depressão como sintoma social". Em síntese a autora faz uma relação entre aceleração e depressão no psiquismo. Trazendo então, que tem a ver tanto no individual quando falamos: hoje estou acelerado, ou hoje estou deprimido. E também no social quando ouvimos: aceleração da economia ou depressão da economia. Coligando a nossa relação com o tempo. Todos já escutaram a expressão: "Tempo é dinheiro". Mas em concordância com a autora é uma brutalidade a expressão. Porque, se pararmos para pensar nossa vida é feita de tempo.


Na verdade "O tempo é o tecido da nossa vida." O que fazemos com ele é a questão. Conceituando de forma bem sucinta na teoria freudiana, sobre a origem do psiquismo temos então para psicanálise que o psiquismo é uma estância temporal, ele não é um lugar no cérebro, não existe um neurônio ou algo nesse sentido. Mas ele é um trabalho, Ou seja, ele só exite enquanto efeito de um trabalho. E qual seria esse trabalho? Seria o de tentar representar um objeto faltante. E nós como seres de constantes desejos, temos então constantes faltas. Mas quando falamos de falta também falamos de vazio. Por exemplo, o recém nascido, O recém nascido não tem psiquismo, ele não tem base, ele não tem uma teia de representações mentais. A única coisa que ele tem é a falta.

E é sobre esse vazio, sobre essa falta e só por ela, então que ele começa a trabalhar. Para esse trabalho Freud chamou de "Tempo de espera da satisfação". Então pensemos juntos: temos um recém nascido que esta vivenciando seu 1°momento de satisfação. Que geralmente é a 1°mamada, mais que também vai viver seu 1°momento de falta que é a fome. Que é um momento de tensão porque ele não sabe se quer o que virá satisfazê-lo. E nesse sentido o Freud conceitua que o 1°grito não é para chamar a mãe nesse 1°momento. É porque ele precisa liberar essa tensão. Ai ele grita e descarrega a tensão. Porém, também, esse grito traz a mãe. E passa também a adquiri o sentido de chamado.

E é nesse momento que começa o mínimo, de sentido de comunicação, de linguagem, entre mãe e bebe. Porque ele passa a associar que eu grito a mãe vem e me satisfaz. Mas o grito um dia falha, porque a mãe não veio imediatamente. Mas quando a criança passa a sentir de novo aquela insatisfação primária, imediatamente ela ativa o que Freud que chamará de representante coisa. Que em sua primeira instância, será como uma alucinação. Porque é nesse momento que o aparelho psíquico vai investir toda sua energia para criar algo. Então ele trará imagem da mãe chegando, a imagem do seio.

A criança continuará chorando, porque mesmo assim não matará a fome dela. Logo é necessário a amamentar. Mas da próxima vez em que a criança sentir, ela já não terá ma alucinação. Porque naquele momento houve o amadurecimento. Então a criança passa a mentalizar, ou seja, ela passa ter agora um representante ideativo do que ela quer, do que ela deseja. E, porque eu trouxe isso? Eu trouxe tudo isso, para mostrar, que esse intervalo temporal, esse vazio, traz também um sujeito capaz de fornecer representações para o que lhe falta. E assim como a criança nós também podemos sentir esse vazio aterrorizante, essa angustia, medo.


E esse recurso mental de imaginar o que nós queremos, de fantasiar, desejar e até mesmo visualizar o futuro de forma diferente, é que traz o amadurecimento psíquico para aquele conflito que vivenciamos. Essa perspectiva do tempo de que nós somos capazes de transformar as coisas nos ajuda a suportar os momentos de angústia. E é justamente essa possibilidade de suportar esse tempo vazio com encadeamento de ideias, que faz com que o tempo seja um percurso. Ele sempre transcorrerá de algo bom ou ruim, de um passado recente: seja um filme que acabei de ver, seja um luto de um familiar, etc. Então ele pode ser dolorido, prazeroso ou satisfatório. E temos o futuro que agente pode representar, imaginar e objetivar. O uso do tempo também sempre dependerá do contexto social em que se vive, no sentido cultural, demográfico ou econômico.

Que não é igual em todos os lugares, logo incide no psiquismo e na forma como ele irá se desenvolver. Exemplo em simultâneo, em que aqui comemoramos no folclore o saci, temos nos EUA é comemoração do Hallowen. Fazendo um adendo na história, ao final da idade média, no qual se insere o relógio. A princípio vemos eles sendo colocados nas torres das igrejas. E com isso o tempo que antes era em conformidade apenas com a natureza. Passa a ser pontuado pelo tempo religioso. Então temos as festas, nascimento, 1°comunhão, tempo de casar. Mas que ainda assim ia ao encontro do nascer do sol ou por do sol. E em seguida começam a aparecer relógios nas torres das prefeituras, acrescentando assim também suas marcações no tempo social. Na área do trabalho também temos o exemplo de marcação de ponto, ou seja, passa a ser pago o tempo de trabalho.

Trazendo para atualidade com o regime capitalista e com a mídia comercializando o seu tempo: "Veja, venha, sinta, faça parte..." Passamos a não nos sentirmos úteis, caso não cumpramos todas as atividades, e solicitações muitas vezes impostas, pelo ambiente social que estamos inseridos: casa, trabalho, acadêmico, etc. O que traz com isso uma falta. Porem não conseguimos sequer tempo para elaborar caminhos ou meios para ultrapassar tais vivências. Pois, as demandas não param de chegar, resultando assim em uma angústia muito grande muitas vezes por perda de identidade.

O que resulta na depressão hoje acometer, cada, vez mais pessoas. Para esse contexto temos então a atuação do Psicólogo social, que cumprirá a função de analisar grupos através de suas queixas e vivências no ambiente a qual estão inseridos. Em conjunto com uma equipe multidisciplinar, ou até mesmo com recortes bibliográficos da história para encontrar uma solução ou um método paliativo para melhor qualidade de vida daquele grupo.

Devo salientar que a depressão é uma doença, cujo agravamento mostra quadros tão grandes de angústia, que leva o sujeito a cometer desde auto, mutilação, a ideações suicidas ou ao próprio ato de suicidar-se. E como cidadãos pertencentes a um grupo, cujo qual sem o mesmo não há forma de sobrevivência. Temos a responsabilidade de exigir mudanças seja ela no que tange políticas públicas ou até mesmo interferir na mudança de ambiente, que está acometendo o sujeito. Para isso também há a necessidade de buscar um profissional de saúde mental, qualificado, que respalde e auxilie nesse processo que traz não só mente a dor de um sujeito e sim de todos ao seu redor.

Dessa forma concluo e me disponho aos leitores para mais informações, ou para indicações de tratamentos. E caso você esteja se sentindo angustiado dentro de alguma situação posta acima o telefone do centro de valorização de vida 188 presta atendimento 24 h bem como o disk 100 para denúncias no que tange violação de direitos humanos.

Fonte: Kamila Faro

Comunicar erro
imagem 728x90

Comentários

imagem 728x90