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Ocupação elevada de UTIs pode aumentar média de vítimas de covid-19

Por Nação Sampa News em 05/03/2021 às 15:56:34

Médicos fazem treinamento para tratamento de covid-19 - Rovena Rosa/Arquivo Ag√™ncia Brasil

Diego Xavier explica que os n√ļmeros atuais s√£o um "retrato atrasado", de quando a ocupa√ß√£o dos leitos de UTI ainda n√£o havia atingido a situa√ß√£o atual. "Esse dado [a média móvel de mortes] tem um atraso que pode chegar a tr√™s semanas, dependendo do local em que é feito o registro, porque depende da estrutura de registro", afirma.

"Se a pessoa que n√£o conseguir se internar depois for a óbito, primeiro vai ser feito um registro desse óbito, o diagnóstico como covid, nesse caso, vai entrar na fila para digita√ß√£o [no sistema], e só ent√£o a gente tem esse dado. O que a gente est√° olhando agora [na média de mortes] é um reflexo do passado. A tend√™ncia é que volume de óbitos aumente."

A ocupa√ß√£o dos leitos de UTI para covid-19 no SUS atingiu a zona de alerta cr√≠tica em 18 estados e no Distrito Federal, segundo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz divulgado em 1¬į de mar√ßo. S√£o classificados dessa forma os locais em que a propor√ß√£o de vagas ocupadas supera os 80%. Santa Catarina tinha a situa√ß√£o mais grave do pa√≠s, com 99% de ocupa√ß√£o.

Xavier avalia que o cen√°rio é resultado de uma combina√ß√£o de fatores que v√£o desde as aglomera√ß√Ķes de fim de ano e carnaval até a sensa√ß√£o prematura de seguran√ßa com o in√≠cio da vacina√ß√£o, além do surgimento da variante P.1 do coronav√≠rus, considerada mais contagiosa.

Como as férias, o ver√£o e as datas comemorativas s√£o comuns a todo o pa√≠s, e a doen√ßa j√° havia se espalhado no interior, as aglomera√ß√Ķes provocaram uma alta generalizada de casos, o que se agravou com a falta de medidas para conter a dispers√£o da variante de Manaus no território nacional.

"Esses movimentos, capilarizados, com todo mundo se movimentando ao mesmo tempo, fizeram com que a doença crescesse tanto no interior quanto nas capitais", afirma Xavier.

Medidas restritivas

Comércio e atividades consideradas n√£o essenciais fecham as portas durante lockdown no Distrito Federal.

Comércio e atividades consideradas n√£o essenciais fecham as portas durante lockdown no Distrito Federal. - Marcelo Camargo/Ag√™ncia Brasil

O epidemiologista recomenda que medidas restritivas sejam tomadas de forma articulada entre todas as esferas de governo. Ele alerta que os gestores não podem esperar a ocupação das UTIs chegar a uma situação crítica para agir.

"Temos muitos munic√≠pios tomando medidas isoladas, mas a rede de aten√ß√£o em sa√ļde n√£o é isolada. Na rede de UTIs, tem um munic√≠pio polo maior e munic√≠pios satélites que dependem dessa rede. Se um munic√≠pio dentro dessa rede toma medidas restritivas e os outros n√£o, os leitos v√£o ser ocupados da mesma maneira", afirma, defendendo que medidas restritivas sejam endurecidas mesmo nos estados em que a ocupa√ß√£o das UTIs ainda n√£o é cr√≠tica. "A gente precisa evitar que a pessoa pegue a doen√ßa, e n√£o, depois que ela pegou a doen√ßa, fazer lockdown e tentar criar novos leitos, porque o estrago j√° vai estar feito."

A própria capacidade de criar leitos, lembra ele, é limitada, e n√£o apenas pela disponibilidade de recursos financeiros. "A gente tem um limite de equipes de sa√ļde, porque elas também ficam doentes e s√£o limitadas. Voc√™ consegue criar um leito de um dia para o outro, mas n√£o consegue formar um profissional capacitado para uma UTI de um dia para o outro."

A pesquisadora em sa√ļde da Universidade Federal do Rio de Janeiro Chrystina Barros destaca que a dificuldade de avan√ßar na vacina√ß√£o e a falta de controle de circula√ß√£o e vigil√Ęncia das novas variantes aumentam a preocupa√ß√£o com o cen√°rio atual. A professora avalia que as novas medidas de restri√ß√£o s√£o bem vindas, mas precisam ser mantidas por ao menos 14 dias para surtir algum efeito na circula√ß√£o do v√≠rus.

"Existe um tempo entre a contamina√ß√£o pelo v√≠rus e a manifesta√ß√£o dos sintomas em até duas semanas. Por isso, qualquer libera√ß√£o antes desse per√≠odo é prematura", afirma.

"Estamos em um contexto em que a circula√ß√£o de pessoas entre munic√≠pios ou entre estados n√£o tem nenhum controle de vigil√Ęncia epidemiológica, e esse é o maior problema. N√£o temos a informa√ß√£o exata do impacto que essas variantes est√£o trazendo no aumento do n√ļmero de casos".

Fonte: Agência Brasil

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