Coluna do Dainese
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O conservadorismo, também político, no Brasil

O crescimento dos "conservadores" e "cidadãos de bem".

Por Nação Sampa News em 26/11/2020 às 14:18:26
Andresa Mariana, Escritora e Colunista do Nação Sampa News

Andresa Mariana, Escritora e Colunista do Nação Sampa News


Andresa Mariana

Formada em Letras português/inglês pela Universidade Cruzeiro do Sul

Escritora, Colunista do Nação Sampa News, Blogueira, Produtora, Especialista em conteúdos diversos com técnicas de SEO, Revisora gramatical , Redatora e Ativista de Esquerda.

Coluna: Temas Contemporâneos e Politica


Existem vários tipos de movimentos políticos. Somos bilhões de pessoas no mundo com ideias e opiniões distintas. Temos nossos grupos de identificação. E também existem aqueles que dizem não ter opinião.

Um desses movimentos que existe desde a modernidade e vem sendo cada vez mais mencionado no Brasil é o conservadorismo. Com uma adesão quase que total da direita e extrema direita que, inclusive, hoje, está à frente do país, considerando o governo Bolsonaro, o conservadorismo acaba sendo mais que um movimento. Seu radicalismo chega a ser uma opressão a quem vive de forma contrária a ele.

Mas, antes de qualquer coisa, acredito que muitas pessoas não saibam o que é o conservadorismo e acredito que a primeira coisa importante é entender o que ele significa.

O conservadorismo é uma teoria política, aliás, mais do que isso, ele é uma postura política que defende a manutenção das instituições sociais tradicionais, como a família, religião, tradições e costumes. Ou seja, o conservadorismo ressalta a conservação dessas instituições, o que acaba por se opor a qualquer tipo de movimentos revolucionários ou progressistas.

Depois do resultado da eleição presidencial em 2018 que trouxe, explicitamente, uma ascensão da direita ao poder, os que se declaram conservadores terminaram de "colocar as mangas de fora". Porque, ao contrário do que aparenta, esse não é um fenômeno recente.

A expansão.

Segundo o Datafolha, nas eleições de 2018, o voto dos cidadãos que se declaram evangélicos foi decisivo. Os números mostraram que 21,5 milhões votaram em Jair Bolsonaro, contra 10 milhões que escolheram o candidato de esquerda Fernando Haddad.

A notoriedade da bancada evangélica, por exemplo, também cresceu. Líderes religiosos estiveram mais ativos e expostos exercendo influência ao "rebanho". Isso sempre existiu, a diferença é que com um governo declaradamente conservador, esses mesmos líderes assumiram uma postura mais ativista nas questões políticas.

O que isso tem de ruim? Bem, considerando o que foi dito anteriormente sobre a oposição a qualquer movimento que não esteja de acordo com os denominados costumes conservadores, logo é possível percebermos o preconceito que de velado passa a explícito e segrega tudo que não vai de encontro ao movimento.

As chamadas minorias, como a população LGBTQIA, mulheres, negros, moradores de comunidades e afins são quase sempre desfavorecidas e atingidas diretamente por esse conservadorismo.

Se examinarmos a fundo, juntando tudo isso às questões sociais, a maioria dos brasileiros não assume, mas têm ideias ou posturas conservadoras, o que repito, trouxe ao poder o atual presidente.

Uma pesquisa de índice de conservadorismo feita pelo IBOPE, abordando cinco pautas polêmicas como a legalização do aborto, casamento estre pessoas do mesmo sexo, pena de morte, prisão perpétua e redução da maioridade penal, mostrou que APENAS 5% dos brasileiros têm baixo índice conservador, enquanto 41% são conservadores médios E 54% SÃO CONSERVADORES MÁXIMOS / RADICAIS.

Lembrando que, dentro desse radicalismo, pode-se incluir até mesmo crimes brutais cometidos contra as minorias que foram citadas. Ou será que você nunca leu uma notícia ou ouviu falar que algum homossexual foi espancado e morto somente por sua sexualidade? O mesmo se estende às mulheres, índios, negros, pobres e pessoas na linha da miséria que vivem nas ruas e são até mesmo incendiadas vivas por pessoas que se intitulam defensores da moral e do bom costume.

Os números são alarmantes. O rumo que o Brasil está tomando com o domínio da extrema direita, que não se reduz ao presidente do país, mas no crescimento evidente desse movimento conservadorista que veio com ele, é assustador para quem vive do sonho e da luta por igualdade e inclusão nesse país. E acredite, esses é que são chamados de "radicais".

"O mundo está ao contrário e ninguém reparou".

Andresa Mariana.

Fonte: Andresa Mariana

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