Coluna do Dainese
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Afinal, quem é Guilherme Boulos?

A virada (in) esperada do candidato do PSOL

Por Nação Sampa News em 18/11/2020 às 12:59:35


Andresa Mariana

Formada em Letras português/inglês pela Universidade Cruzeiro do Sul

Escritora, Colunista do Nação Sampa News, Blogueira, Produtora, Especialista em conteúdos diversos com técnicas de SEO, Revisora gramatical , Redatora e Ativista de Esquerda.

Coluna: Temas Contemporâneos e Política




As principais notícias após o resultado do 1º turno das eleições municipais em São Paulo deram destaque para a virada do candidato do PSOL Guilherme Boulos e sua vice, Luiza Erundina.

Para a surpresa (e revolta) de alguns e alegria (e esperança) de outros, os números nas urnas levaram Boulos ao segundo turno das eleições para prefeito de São Paulo. Mesmo mantendo a terceira posição, atrás de Bruno Covas (PSDB) e Celso Russomano (Republicanos), durante quase toda a campanha eleitoral, Boulos e sua vice praticamente viraram o jogo na reta final e alcançaram um resultado satisfatório e histórico para o partido.

A grande questão a ser observada nesse contexto é que, mesmo que as pessoas insistam em manter o PSDB à frente da cidade, o alcance de Boulos vem cumprindo algumas funções importantes, entre elas, injetar novas forças no poder executivo, que inclui uma atenção maior à população de baixa renda, com propostas que podem ser implementadas nos primeiros seis meses de governo, como, por exemplo, o Programa Renda solidária que ele pretende criar para garantir renda às famílias em situação de vulnerabilidade, com um alcance maior que o benefício do bolsa família, que tem tamanho reduzido e valores mais baixos.

Outra notória mudança com a candidatura e virada de Boulos e Erundina, vem com o que demonstrou ser um despertar significativo da maior parte da esquerda paulistana, que se desgarrou do PT para apostar em uma conquista que se torna ainda mais relevante nesses tempos de pandemia.

A origem.

Filho de um casal de médicos, Guilherme Boulos é professor e coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST). Ativista e idealista, é formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e mestre em psiquiatria pela faculdade de medicina da USP. Apesar de seu envolvimento desde muito cedo junto a movimentos políticos, em 2018, aos 36 anos, filiou-se ao PSOL para candidatar-se à presidência da república, onde alcançou a 10ª colocação, com 617 mil votos.

Não se pode dizer que seu nome passou despercebido, mas, sem dúvida, uma maior notoriedade chegou neste final de 2020 com as eleições municipais.

O MTST, movimento liderado por Boulos, ainda é motivo de polêmica e crítica por parte dos desinformados que se limitam a repetir o que ouvem, espalhando a atual praga das redes sociais: a Fake News.

Sem o hábito de ler ou pesquisar fontes seguras, a maioria das pessoas apenas reproduz o que acham que sabem, sem se dar conta da importância de movimentos sociais como esse.

A grande verdade é que a maior parte das pessoas nem sabe como funciona o MTST. Não se informam. Acham que lutar por moradia digna para os menos favorecidos é invasão. Igual acham que educação sexual nas escolas é colocar um filme pornô e ensinar uma criança a ter relações sexuais. Bom, o que esperar dos terraplanistas, não é mesmo? Ignorância é algo triste.

É absurda a quantidade de pessoas em situação de rua em São Paulo, mas mais absurdo ainda é que existem mais imóveis abandonados ou com dívidas impagáveis, que a prefeitura pode desapropriar e transformar em moradia popular, do que gente na rua. Não falo de quem escolhe viver na rua, falo de famílias que vivem na linha da miséria.

Tem muita gente que precisa sair da bolha e se informar. Talvez, assim, fique muito mais clara a importância de alguém como Boulos e suas ideologias no comando da maior cidade da américa do sul.

Não é sempre que temos como candidato alguém que luta há mais de uma década em um movimento que visa garantir que a constituição brasileira não seja apenas um conjunto de letras mortas e que as pessoas tenham direito à moradia digna no Brasil. Além disso, com uma pesquisa rápida nas suas propostas de governo, pode-se observar as várias medidas que Boulos sugere para esse quadro tão triste e real de desigualdade, onde milhares de vidas estão expostas a condições sub-humanas de higiene, alimentação, moradia e situações de mendicância.

Longe de mim esse artigo ser tendencioso. Escrevo sobre o que observo e acredito. Mas eu sei bem a que classe social pertenço e, talvez, seja isso que faça tanta diferença.

Desejo boas notícias.

Andresa Mariana.

Fonte: Andresa Mariana

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