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Endometriose uma doença que atrapalha a qualidade de vida das mulheres.

Endometriose

Por Nação Sampa News em 30/07/2021 às 18:10:30

Marcelo Antonini Médico Ginecologista e Obstétra CRM-SP 108731


Dr. Marcelo Antonini

Médico Mastologista, Obstetra e Ginecologista

Coluna: Saúde da Mulher



A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero, em locais como os intestinos, ovários, tubas ,bexiga ou peritônio (camada que reveste o abdômen e os órgãos). Pode causar sintomas como dores progressivamente de mais intensidade, especialmente durante a menstruação, mas que também podem ser sentidas nos outros dias do mês.

Além do tecido endometrial, podem estar presentes a glândula ou estroma que também são tecidos que não deveriam estar em outros locais do corpo, somente dentro do útero. Essa alteração pode se espalhar por diversos tecidos da cavidade pélvica, causando uma inflamação crônica nestas áreas.

O tratamento para endometriose deve ser feito de acordo com a orientação do ginecologista e envolve o uso de medicamentos que ajudam a aliviar e controlar os sintomas, além de também poder ser necessário, nos casos mais graves, a realização de cirurgia.

Causas de endometriose

A endometriose não tem causa muito bem estabelecida, no entanto algumas teorias explicam o que poderia favorecer o crescimento de tecido endometrial fora do útero.

As duas principais teorias que explicam a endometriose são:

Menstruação retrógrada, que é uma situação em que a menstruação não é eliminada corretamente, podendo seguir em direção aos outros órgãos pélvicos. Dessa forma, os fragmentos do endométrio que deveriam ser eliminados na menstruação permanecem nos outros órgãos, dando origem à endometriose e aos sintomas;

Fatores ambientais como a presença de poluentes que estão presente na gordura das carnes e refrigerantes poderiam alterar o sistema imune fazendo com que o corpo não reconheça estes tecidos. No entanto mais pesquisas científicas devem ser realizadas para comprovar estas teorias.

Além disso se sabe que mulheres com casos de endometriose na família têm mais chances de desenvolver a doença e por isso fatores genéticos também estariam envolvidos.

Sintomas

O sintoma mais comum da endometriose, e que costuma acontecer primeiro, é a dor na região pélvica. Ela tende a ser mais intensa no período menstrual, podendo se estender por mais tempo, conforme a evolução da doença. Além disso, podem surgir problemas como:

Principais Sintomas da Endometriose

  • cólicas menstruais (dismenorreia);
  • cólicas abdominais antes da menstruação;
  • dor nas relações sexuais, sobretudo na penetração profunda;
  • dor ao urinar e evacuar, principalmente durante a menstruação;
  • fadiga;
  • diarreia;
  • infertilidade.


No entanto, apesar de a dor ser o sintoma mais relevante, nem sempre ela corresponde à gravidade da doença. Em algumas mulheres, a dor pode ser bem menor que a extensão, prejudicando o diagnóstico. Sem contar que todos os sintomas podem ser relacionados a outros problemas de saúde, ou mesmo, com o período menstrual.

Fatores de risco

Estima-se que uma mulher com casos próximos na família, como a mãe e a irmã, tenha cerca de seis vezes mais chances de desenvolver a endometriose. Além da genética, outros fatores de risco relevantes são:


Fatores de Risco para Endometriose

  • menstruação precoce;
  • ciclos menstruais curtos;
  • períodos menstruais longos, superiores a sete dias;
  • não passar por uma gestação
  • anomalias no útero e nos outros órgãos da região pélvica.




Diagnóstico

O diagnóstico da endometriose é feito, primeiramente, pela verificação dos sintomas e o histórico da mulher. De qualquer forma, o médico pode solicitar alguns exames, não apenas para a confirmação, mas também, para entender a extensão do problema.

Um desses exames é o de toque vaginal e retal. Ainda no consultório, o médico pode verificar a presença de anormalidades na região pélvica, como nódulos e cistos. Pode ser recomendado, ainda, um ultrassom no local, com a obtenção de imagens mais detalhadas.

No caso da endometriose profunda ou casos mais graves, o médico também pode pedir uma ressonância magnética, permitindo mapear todas as lesões relativas à endometriose.

Em último caso, quando os exames por imagem não forem suficientes para entender a extensão da doença, pode ser feita uma laparoscopia. Nesse procedimento, há a remoção de todos os cistos e tecidos lesionados, que devem ser enviados para uma confirmação do diagnóstico em laboratório.

Tratamento

As possibilidades de tratamento da endometriose variam de acordo com o desejo da paciente de engravidar. O objetivo é controlar os sintomas no caso de dor e aumentar a chance de gravidez, no caso de infertilidade.

Para mulheres que não desejam gravidez, as principais indicações são para o tratamento da cólica, dor pélvica e dispareunia. Pode ser feita por medicamentos analgésicos e hormônios para inibir a endometriose até seu desaparecimento. É importante avaliar a taxa de sucesso e os efeitos colaterais.

A cirurgia tem como objetivo retirar os focos de endometriose e refazer a anatomia, quando esta apresenta-se distorcida. Pode ser feita por cirurgia convencional, videolaparoscopia ou robótica.

É mais indicada para mulheres que tem a prole definida, devido aos riscos de retirada dos ovários. Durante o procedimento, o médico retira todo o tecido endometrial da região sem danificar os ovários, assim, a fertilidade é preservada

.

Além de ser a melhor alternativa para os casos de endometriose moderada e grave, a cirurgia também deve ser considerada quando o tecido endometrial bloqueia uma duas tubas uterinas ou quando os medicamentos não são suficientes para o alívio dos sintomas.

Caso os medicamentos não aliviem a dor e a mulher não planeje engravidar, uma outra alternativa é a remoção do útero (cirurgia chamada de histerectomia), que pode ser acompanhada da remoção dos ovários ou das tubas uterinas.

Prevenção

A endometriose é uma doença benigna, que se caracteriza pela proliferação do tecido chamado endométrio para fora da cavidade uterina, local em que ele normalmente se desenvolve. O crescimento do endométrio faz parte do ciclo reprodutivo da mulher. Ao longo desse período, o tecido cresce, e quando não ocorre gravidez ele é eliminado em forma de menstruação. Entretanto, em algumas mulheres algumas células desse tecido migram no sentido oposto, podendo subir pelas tubas e chegar à cavidade abdominal, multiplicando-se e provocando a endometriose.

Não há consenso médico sobre as causas que levam ao desenvolvimento da endometriose, de modo que ainda é difícil falar diretamente em prevenção. Entretanto, diversos estudos sobre as características das mulheres que têm a doença ajudam a medicina a se aproximar de maiores respostas.

Enquanto alguns fatores de risco para a endometriose são bem conhecidos, ainda não é claro como determinados comportamentos, tais como o uso de determinados medicamentos, compostos químicos, entre outros fatores, poderiam aumentar ou diminuir as chances de desenvolver a doença.

Alguns estudos associam o padrão menstrual à ocorrência de endometriose: pacientes com fluxo mais intenso e mais frequente teriam mais risco de apresentar a doença.

A relação entre o uso de pílula anticoncepcional e a endometriose ainda é polêmica: há pesquisadores que encontraram aumento de risco, e outros que indicaram a redução ou ausência de efeito. Como alguns anticoncepcionais orais são utilizados por mulheres que apresentam cólicas menstruais (dismenorreia primária), e a endometriose causa dor pélvica (dismenorreia e dispareunia), a pílula é muitas vezes prescrita para mulheres que têm a doença, sem que se tenha descoberto alguma relação de causa e efeito entre elas.

Filhas e irmãs de pacientes com endometriose têm maior risco de também desenvolver o problema. A identificação genética poderia ajudar a entender melhor a doença, mas é ainda difícil saber o quanto os genes realmente são relevantes em relação a outros fatores, como etnia e fatores ambientais.

Consumir muito álcool e cafeína são hábitos que têm sido associados ao aumento do risco de endometriose, enquanto fazer atividades físicas parece diminuir as chances da doença.

Com um debate científico ainda bastante acalorado sobre as causas da endometriose, o melhor que as pacientes podem fazer para manter a saúde em dia é consultar regularmente o ginecologista. Observar os sintomas e conhecer seu corpo também são atitudes que ajudam a perceber alterações, indicando a necessidade de voltar mais cedo ao consultório.

Fonte: Marcelo Antonini Médico Ginecologista e Obstétra CRM-SP 108731

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