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A má postura corporal e as dores provocadas pela Pandemia

POR MÁRCIA NASCIMENTO

Por Nação Sampa News em 02/07/2021 às 13:40:31

Márcia R. Nascimento - Fisioterapeuta


Márcia R. Nascimento
Fisioterapeuta
Formação: Unesp Presidente Prudente
RPG (Philippe Souchard)
Rpg nas lesões articulares
Rpg em alterações articulares
Rpg nas escolioses




A pandemia trouxe uma mudança drástica na nossa rotina, o isolamento social nos colocou em outra realidade: mais tempo em casa, aumento dos afazeres domésticos, trabalho em home office, aumento das vídeo-conferências e aulas online. Todas essas mudanças refletiram muito na postura corporal e, consequentemente, causaram dores. Constata-se que, segundo Google Trends; ferramenta gratuita do Google a qual permite acompanhar a evolução do número de buscas por determinada palavra-chave; a busca pelo vocábulo "dor nas costas" aumentou em 76%, no período pandêmico.

Isso porque, diante do isolamento social, houve o acúmulo de funções nos afazeres domésticos; que não faziam parte da rotina (relato muito comum); culminando, portanto, em sobrecarga das estruturas musculares, articulares e da coluna, fatores esses que geraram o acrescimento de indivíduos com dores, em consequência, do prejuízo à postura, pois quando sentimos dor, a reação do nosso corpo, é de defesa, desse modo ocorre o deslocamento do peso para o lado oposto, isto é, é como se o corpo estivesse "fugindo" da dor.

Nesse viés, o aumento decorrente do uso dos computadores, smartphones e tablets, provocou grandes alterações posturais, devido à posição que a maioria das pessoas adota, projetando cabeça, pescoço e tronco a frente (para visualizar a tela). Ademais, a postura sentada por longos períodos, também causa outras alterações, como a retificação da coluna; diminuição ou desaparecimento das suas curvas normais; por isso há o aumento da sobrecarga sobre os discos intervertebrais.



Ressalta-se que o trabalho via home office, sem condições ergonômicas, muito contribui para as alterações posturais e consequente dores. Observa-se, então, que o ambiente doméstico normalmente não oferece as exigências adequadas ao trabalho, bem como as aulas online, uma vez que no sistema ead, com aulas em casa, na maioria das vezes, as mesas e cadeiras são inadequadas, sem adaptações. As queixas mais comuns são dores lombares e cervicais (dores no pescoço).

Outrossim, o estresse muscular do trabalho e estudo via sistema online, agravado pelas complicações na saúde mental, em razão do distanciamento social, é a grande causa das dores cervicais, podendo chegar a causar as denominadas cefaléias (dores de cabeça) e a torcicolo, sendo esta última dor extremamente incômoda.

Ainda, no ambiente doméstico de trabalho, o estresse visual também é muito comum, devido ao mau posicionamento da tela a qual, frequentemente, não está na altura do rosto do trabalhador e do estudante. Também, a luz azul emitida por todas as telas, por não oferecer a proteção adequada, causa estresse e cansaço, o que culmina em mais dores.

Além da coluna, outras articulações podem ser afetadas, como os joelhos, que permanecem muito tempo fletidos, comprimindo as cartilagens; os punhos e os cotovelos, que são lesionados pelo esforço repetitivo (as tendinites e as epicondilites), sendo o primeiro sinal, a dor muscular. Além disso, ocorre a perda de massa muscular, devido ao sedentarismo; outro fator que contribuiu para o aumento das dores, facilitando os mecanismos de lesões.

Após um ano de Pandemia, em meu consultório, constatei que as queixas de dores na coluna, as lombalgias e cervicalgias, aumentaram cerca de 50%, assim como as lesões articulares e tedinosas, que envolvem toda a nova realidade vivida até o momento; houve ainda a reincidências de casos antigos. Observei que houve muitas lesões por sobrecarga dos discos; como ocorre nos mau posicionamentos; e esses podem sofrer agravamento, progredindo da diminuição dos espaços intervertebrais para artrose e hérnias de disco, dessa maneira as alterações também progridem para dor crônica.


Isso posto, é essencial a adequação do mobiliário e do cumprimento das, as exigências ergonômicas, para prevenção de lesões. Recomenda-se também intervalo de 10min, a cada 1 hora de trabalho, pois levantar-se, mexer-se, andar e realizar pequenos alongamentos durante o trabalho são práticas muito importantes para prevenção de lesões tanto do trabalhador, quanto do estudante. A realização de alongamentos previne dores e lesões musculares, torna os músculos mais flexíveis, aumenta a circulação sanguínea e melhora a mobilidade das articulações. Portanto, em nossa nova realidade, devemos incorporar novos hábitos que nos tragam mais saúde e, consequentemente, melhor qualidade de vida.

Fonte: Márcia R. Nascimento - Fisioterapeuta

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