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Sociobiologia: a pesquisa do código genético no comportamento social

A problemática área científica analisa o comportamento social de animais e humanos sob a visão biológica

Por Nação Sampa News em 08/08/2020 às 22:06:10

Paulo Miranda

Paulo Miranda

Colunista, Apresentador e Atuante na Área Financeira/Administrativa

Formado em Bacharel : Administração, Ciências Contábeis, Sociologia e Estudante de Ciências Biológicas

Coluna: Temas Aleatórios







A problemática área científica



A sociobiologia-biossociologia é um estudo que propõe e configura uma linha entre dois mundos, que no contexto, são estudados e inseridos de uma forma isolada no âmbito de segregar as esferas biológicas: no contexto se encontra as sociedades humanas e as sociedades de outros animais.

Mais precisamente é uma área da biologia que estuda os estímulos sociais, partindo de uma vertente do comportamento das sociedades animais. Aplicando técnicas da etologia, evolução, sociologia e genética de populações. Esse termo foi colocado e popularizado com maior expansão por Edward Osborne Wilson, em seu famoso livro Sociobiologia: A Nova Síntese, lançado em 1975.
Partindo da esfera de homo sapiens, o homem também é um animal, portanto, não está livre de ser um objeto de estudo da sociobiologia.
Esse segmento de ideia ou linha de estudo, se coloca na pauta e traz a tona, pautas e explicações como comportamentos e atitudes específicas que surgiram ao longo da evolução e que foram contornados pela naturalidade da esfera genética, sugerindo que os comportamentos e condutas sociais do mundo e do planeta animal, incluindo o humano, seria de uma base genética.


A origem da sociobiologia : Inicio da socio + biologia



Bom, primeiramente, para falarmos da sociobiologia e cravar uma data ou início, precisamos entender o panorama e a cronologia, que realmente é um tanto quanto confusa em alguns aspectos. Existem controvérsias, porém, algumas explanações, ferramentas e pontos de vista, mostram mais embasamento nas obras e livros de etologia "estudo biológico do comportamento dos animais", e humana, que inclusive, ganharam notoriedade nas décadas de 1960 e 1970, por outro lado, outras linhas são direcionadas e dão total credito aos pioneiros da matemática de populações, como Ronald Fisher que foi um estatístico, biólogo evolutivo e geneticista inglês, e o geneticista Sewall Wright, John Haldane que era um pensador marxista, geneticista, e biólogo britânico na década de 1930. Todos esses foram praticamente os protagonistas e fundadores, da Genética populacional.


Independentemente das linhas e objetos de ideias sociobiológicas já existirem naquela época, o remate decisivo e finalizado da "sociobiologia" só ganhou força e destaque na esfera socio + biologia dentre outras esferas midiáticas, na segunda metade da década de 1970, com o lançamento do livro Sociobiology: The New Synthesis (traduzido como Sociobiologia: A Nova Síntese), do biólogo Edward O. Wilson. É importante frisar que no livro — Sociobiologia: A Nova Síntese, Wilson apresenta o estudo como próxima da ecologia comportamental, partindo do pressuposto que ambas estão ligadas e complementadas à biologia de populações, sendo a teoria evolucionária o coração das três instituições e linhas biológicas.


É bom deixar claro, que em seu livro, o biólogo Wilson fez declarações controversas sobre ética, chegando a sustentar que cientistas e humanistas deveriam repensar e analisar uma possível esfera de biologizar esse setor de estudo, e, porque não, Tomar-tirar, do controle e das mãos dos filósofos esse poder. Vale lembrar que o biólogo Edward O. Wilson já flertou com o positivismo e rasgou elogios ao sistema de corrente filosófica. Também fez críticas a sua curta duração, que para ele, a causa foi a famosa ignorância sobre como funciona o cérebro humano, a mentalidade do ser.


Ainda assim, Edward O. Wilson fez algumas declarações, não pautando uma vertente mais objetiva, na diretriz de, como a biologia seria determinante para esses temas. O biólogo, não foi o único a iniciar e causar discussões fervorosas, com declarações firmes: outros sociobiólogos como David Barash e Pierre Van den Berghe foram até mais rígidos em suas explanações e afirmações, em contrapartida, Wilson recebeu mais atenção e projeção no sentido de ser o incentivador mais solido em alguns aspectos.

O segmento sociobiologia foi bastante criticado, e em larga escala teve problemas com uma linha de conhecimento, que suportou e teve bastante resistência, por mérito dessas mesmas declarações e afirmações no campo do debate. Os próprios etólogos, por não aceitarem, tendo em vista, as diversas divergências no setor de conhecimento, não queriam se ver ligados às declarações de Wilson. Dizem que, o uso do termo "psicologia evolucionista" conseguiu destaque, em fração, devido à fama indesejável que a sociobiologia ganhou.


Fundamentos da sociobiologia





A sociobiologia tem como base algumas concepções que estabelecem um alicerce dessa ciência, tais como a própria evolução que está concentrada nos genes, que é extremamente importante para visualizar os benefícios e as limitações evolutivas de um específico comportamento social. Este pensamento é o principal assunto de maior interesse do livro 1976 de Richard Dawkins "O Gene Egoísta", na importante obra de popularização da sociobiologia e foi trabalhado de uma forma mais robusta na década de 1960 por W. D. Hamilton.
Entrando para o contexto do objeto de estudo, temos outro conceito do estudo, que é a seleção de parentesco. A seleção de parentesco é importante no quesito de entendimento de atos altruísticos entre indivíduos aparentados. Já na base de reciprocidade, temos a ideia do altruísmo recíproco, um estímulo colocado por Robert Trivers, que mostra uma linha categórica para a explanação de atitudes altruístas entre seres indivíduos não precisamente aparentados.

Qual é a linha de objeto e pensamento do setor de estudos?



A sociobiologia lida com a conjectura de que fatores de comportamentos, como sentimentos de altruísmo, e agressividade, são partindo de uma esfera, logicamente, em partes, estabelecidas em uma linha geneticamente resolvida, e não apenas no âmbito cultural ou socialmente obtidos. Mais precisamente, instituições ou sociedade-sociais poderiam ser consequência de um condicionamento genético ou do meio, processo e desenvolvimento adaptativo de certa população ou uma sociedade específica.

A classe dos sociobiólogos consideram que o código genético, influência o comportamento social e assim em partes, o funcionamento da sociedade em situações plenas.
De uma forma habitual, consideram as condutas, comportamentos e hábitos sociais como fenótipos, que são as externações visíveis ou identificáveis do (DNA).
Apesar da falta de evidências concretas e embasadas, de que comportamentos ou costumes possam ser comandadas e estabelecidas por genes, os mesmos operam atualmente com a conjectura de que o DNA teria influência no segmento, participação, isso se leva as fases de adição do indivíduo, trazido para o âmbito do meio ambiente e pelo índice demográfico populacional.

Já no contexto do teor de agressividade, uma sociedade pode ter o volume de agressividade entre os seus integrantes ou membros, aumentados, em situações de falta de alimentos, estimulada por fatores ambientais e pela explosão demográfica. Em contrapartida, trazendo um pouco mais de realidade, um indivíduo também pode, sem sombras de dúvidas, de uma forma mais visível e escancarada, se transformar em um ser totalmente agressivo em uma determinada fase de sua vida, em especial, a famosa adolescência. A sociobiologia concluí que a organização social, bem como o comportamento, são suscetíveis de serem ajustados como "órgãos" de alto grau adaptativo, uma vez que se adequam aos momentos recentes.

Admitindo que os genes têm participação com base e com mais engajamento, nas condutas sociais, comportamentos dentre outros fatores, a maioria dos sociobiólogos anula a objeção entre o inato e o adquirido. A vertente com o maior ciclo regular, é que todo aspecto moral, seguindo um caráter geneticamente determinado, traz uma expressão do ambiente, trazendo uma linha mais voltada sobre uma definição do fenótipo.
Dessa maneira, o conceito, tese, e uma linha mais harmoniosa, é de que, se uma pessoa com aptidão genética a ter grau de agressividade, nascer em um ambiente extremamente pacifista, esse traço provavelmente não irá se manifestar com propriedade. Já um indivíduo que vive em um ambiente onde é necessário brigar, tretar, e iniciar uma disputa por alimento, dentre outras coisas, com certeza, pode se tornar agressivo, cada lugar tem o seu resultado, devido aos acontecimentos, tem a sua peculiaridade, vai de acordo com o sistema de povoação, as emoções, são vários fatores que acabam impactando no comportamento dos membros.

Divergências entre especialistas




Sim, temos divergências entre cientistas e especialistas , com relação ao sistema de cada elemento genético, que influencia no comportamento ou conduta. Dentre as posições e opiniões, visualizamos as que se destacam em modo específico, em uma análise de como a seleção natural age no âmbito desse segmento. Existem aqueles que acreditam que a seleção natural, atua sobre o grupo de espécie, população, parentela, já outros colocam que esse sistema da seleção, se mostra em uma vertente mais voltada a forma individual, e outras hipóteses na linha de julgamentos, dizem que a mesma é idealizada na sintonia, sendo uma força orientada para o indivíduo, claro reconhecendo situações de seleções de grupos.


A conjectura inicial fala muito do altruísmo, considerando que o mesmo é parte de um pensamento motivador das condutas sociais, seria um dos principais comportamentos, dessa forma, se a seleção natural atua como um fator a preservar ou eliminar uma coletividade, com isso, os seres elevam as possibilidades de continuidade na sobrevivência e crescimento de todos aqueles que agirem de modo altruísta.

No sistema de pensamento que se destina ao egoísmo, nessa linha, os aderentes de seleção natural voltada para o individual, seguem um princípio de que a estrutura real é o organismo individual. Declarando improvável que o meio ambiente atinja e aplique pressões seletivas sobre um grupo. Vale lembrar que os mesmos, também pensam que os indivíduos de uma sociedade, almejam apenas a sua própria sobrevivência, sem dar a mínima se haverá ou não algum tipo de perda a companheiros do seu convívio e de sua espécie. Dessa maneira, a seleção natural atuaria mais no sentido de blindar ou até mesmo eliminar indivíduos, com essa linha, ficaria mais engajada no quadro, no sentido, de que cada ser ou membros, estaria mais ou plenamente adaptado, se adotasse o hábito do egoísmo.
Também temos uma terceira opinião e ponto de vista, que defende o objeto de que a seleção natural, procede como uma ascendência direcionada para o indivíduo em questão, considerando as prováveis maneiras de seleção de grupo.
O mesmo objeto destaca o egoísmo, em contrapartida, integra também o altruísmo como fomentador de comportamentos em sociedade. Esse mesmo grupo, diz, que a seleção natural, atua focada sobre os indivíduos, pois, estes agem predominantemente de uma forma mais egoísta e sabendo que isso possa prejudicar os seus companheiros e integrantes daquele segmento.
Porém, estes mesmos entendem que dependendo de casos específicos, a seleção natural poderá atuar sobre grupos e então seria inevitável e mais que necessário, que os indivíduos fossem mais altruístas, e assim agissem com altruísmo em todos os aspectos.
Com todas essas linhas de pensamentos e visões diferentes, nos deparamos com alguns pontos de divergências no ramo da sociobiologia humana, dentre eles, a do americano e um dos fundadores da Sociobiologia Robert Trivers, ele acredita que o comportamento de chimpanzés e seres humanos pode ser análogo, pela sua semelhante linha e história evolutiva. Saindo um pouco dessa vertente, temos o falecido biólogo britânico John Maynard Smith, que pontuava uma linha mais voltada para a estrutura do dubitável, tornando menos extenso e determinando uma certa restrição com relação aos seus estudos na vertente aos animais.

Aos que acreditam na sociobiologia humana, no ciclo e objetos, nas equivalências comportamentais, entre o ser humano e outros animais como mamíferos, e os próprios primatas, todos esses estudos, pontos de visões, o hipoteticamente falando, linhas de pensamentos, e estruturas de conhecimentos, apresentam evidências, de que temos um comportamento genético nas atitudes sociais das espécies, a tal da agressividade, o controle e autoridade das fêmeas pelos machos em algumas tendências e aspectos, a proteção e consciência paternais prolongados, a situação do território e superfície, estes mesmos elementos de alguma forma, ou sentido, trazem a tona, um lado em comum entre humanos e macacos.

Diversidades das formas sociais humanas





Mesmo com grandes variedades das formas sociais humanas, os sociobiólogos, ainda ficam com a tese e acreditam que esses fatores de diversos lados e pontos divergentes, não invalida e muito menos elimina o assunto do debate, da teoria de que os genes, tem uma participação extremamente presente nos padrões culturais de comportamento, e ainda colocam na pauta o aumento da mutabilidade partindo de uma inconstância, dos costumes, com isso uma função adaptativa da cultura com relação ao meio ambiente prendendo um ciclo de diversidade apresentada pelas margens de culturas aos comportamentos individuais. Com isso, o DNA estimula flexibilidade das condutas e atitudes sociais ao sentir o resultado da seleção natural, ao sobrepor e trabalhando sobre o organismo individual, dando mais tranquilidade para a espécie humana de ter um bom potencial de sobrevivência.
Indagando sobre a evolução, percebemos que o comportamento em modo geral foi requintado, e que se transformou em um ciclo mais complexo do que propriamente potencializar a sobrevivência e a reprodução. Entretanto, apesar de algumas complexidades, a sociobiologia não renuncia ao seu pensamento, e defende uma visão darwinista, no ponto de que a conduta de humanos e outros animais são guiados e tem algum tipo de vínculo, no sentido de busca da sobrevivência do ser indivíduo, do grupo e também da própria espécie. Sabemos que para o biólogo e etólogo Richard Dawkins, e até outros sociobiólogos, este mesmo sistema, é uma realização contínua geneticamente determinada.

Pareceres da discussão




É sabido por muitos que a sociobiologia teve muitas polêmicas em todos os setores de estudos, dentro das esferas da ciência, fazendo uma crítica mais ampla, é possível ter algumas dimensões mais claras dentro de um contexto segregado em dois grupos.
O primeiro objeto de discussão, coloca em pauta as suas credenciais científicas, colocando uma crítica de que a sociobiologia é uma "má ciência" tipo um objeto muito complexo e duvidoso, portanto, não tem preparo e muito menos ferramentas para analisar a situação.


Já a segunda linha tem um objeto ao aspecto político e se divide em dois subgrupos, que são os que alimentam que a sociobiologia faz e aplica uma má ciência de uma forma pretendida, ou seja, de maneira intencional, buscando de fato alegar políticas reacionárias especificas, tendo em vista os que acreditam que essa vertente é arriscada, independente das vontades de seus proponentes.
Os críticos destacam, que esse mesmo objeto de discussão é um parâmetro especulativo, e enfatizam de uma forma mais crítica, para que os sociobiólogos não se precipitem ao fazer declarações como "novas descobertas sobre a natureza humana" em assuntos e segmentos polêmicos.


Até porque, isso poderá desencadear situações indesejáveis, para o debate, um artigo publicado pela revista Nature, em 1979, "Sociobiology critics claim fears come true" Críticos da sociobiologia afirmam que medos podem virar realidade", em tradução livre, mostra como grupos extremistas de direita na França e Grã-Bretanha estavam usando autores e biólogos como Edward Wilson, Dawkins e Maynard Smith para mascarar o racismo e o antissemitismo como elementos naturais, partindo desse argumento, seria uma linha e enredos impossíveis de serem aniquilados.


Em contrapartida, os sociobiólogos rebatem os seus julgadores e críticos, com argumentos e explicações, de que são massacrados injustamente, por uma situação fora do debate, as famosas diferenças ideológicas e por medo das verdades inconvenientes que iriam contra seus pensamentos e opiniões. Isto significa, que todo esse massacre é por conta de diferenças ideológicas que vai contra os seus julgadores.


Por um bom tempo, a sociobiologia foi massacrada, jogada no paredão como uma linha de estudo determinista, reducionista, adaptacionista, foi rotulada de fazer uma grosseria risível da seleção natural, do darwinismo e de dar o poder ao Darwin de ser um, cara incontestável. Ao longo dos anos foi denominada como sendo uma má ciência, recebeu massacre de todos os lados, apanhou durante anos, fato é que até hoje, a mesma desencadeia discussões e debates fervorosos em alguns aspectos da biologia, sociologia e evolução.

Fonte: Paulo Miranda

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