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Tireóide na saúde da mulher

Distúrbios da tireóide

Por Nação Sampa News em 05/07/2020 às 01:20:50


Dr. Marcelo Antonini

Médico Mastologista, Obstetra e Ginecologista

Coluna: Saúde da Mulher






Distúrbios de tireóide são condições que afetam a estrutura e a função de uma glândula localizada na parte inferior do pescoço. Eles são mais comuns nas mulheres, entre os 20 e 40 anos, mas muitas delas associam os seus sintomas a outras doenças, ou mesmo à correria do dia a dia.









O que é a glândula tireóide??



A tireóide é uma glândula localizada no pescoço, logo abaixo das cordas vocais. Ela é formada por dois lobos — o esquerdo e o direito — e o istmo, que os une no meio. A glândula tem um aspecto parecido com a de um escudo, derivando daí a junção dos termos gregos: thyreós (escudo) e oidés (forma de).

A glândula é responsável pelo metabolismo basal do nosso corpo, regulando a função de importantes órgãos do organismo, como o coração, o cérebro, o fígado e os rins.

Além disso, a glândula atua no crescimento e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, no peso, na memória, na regulação dos ciclos menstruais da mulher, na fertilidade, na concentração, e ainda no humor e no controle emocional.

Ou seja, a tireóide é um importante órgão do nosso corpo que está no centro de quase tudo que faz com que o organismo funcione bem.

Essa glândula se utiliza de iodo para produzir aqueles hormônios que são considerados vitais para o organismo — a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3). São eles os responsáveis por estimular as células a trabalharem e por garantir que todo o corpo funcione corretamente.



O que causa problema na tireóide?



Os distúrbios de tireóide acontecem justamente quando esses hormônios são produzidos a mais ou a menos do que o normal. Quando eles são produzidos em excesso, dizemos que ocorreu um hipertireoidismo. E quando são produzidos menos do que o necessário, dizemos então que houve um hipotireoidismo.

Nas duas situações, o volume da glândula pode aumentar, caracterizando um Bócio (ou "papo"). O bócio também pode surgir sob a forma de um ou mais nódulos (bócio nodular), que pode ou não ser visto exteriormente.

Esse problema tende a afetar mais as mulheres entre 20 e 40 anos, embora também possa surgir desde o nascimento. Quando isso acontece, caracteriza-se como bócio congênito.

Outro problema que pode ocorrer na glândula é o aparecimento de nódulos, que podem ou não caracterizar o câncer de tireóide.

Um nódulo de tireóide pode ser definido como um grupo de células que se desenvolveu e cresceu na glândula. Eles podem ter várias causas, como alterações normais da própria glândula ou até tumores, benignos ou malignos.


Doenças da tireóide em mulheres


A causa dos distúrbios na glândula serem mais comuns em mulheres ainda não é totalmente conhecida. Mas, na maioria dos casos, o aparecimento do hipotireoidismo tem relação com uma predisposição genética a uma doença autoimune — a Tireoidite de Hashimoto.

É muito importante saber identificar os sinais de cada um desses distúrbios para que possam ser tratados o mais rápido possível. O distúrbio mais comum e o mais temido das mulheres é o hipotireoidismo, uma vez que ele está relacionado ao aumento de peso, algo que incomoda muito as mulheres.

Por isso, confira, especialmente, quais são os sintomas do hipertireoidismo e do hipotireoidismo abaixo:


HIPOTIREOIDISMO

HIPERTIREOIDISMO

Aumento de Peso

Perda de peso

Depressão

Nervosismo acentuado

Frequência cardíaca reduzida

Aumento dos batimentos cardíacos

Aumento da sensibilidade ao frio

Aumento da pressão arterial

Formigamento ou dormência nas mãos

Fraqueza dos músculos e mãos trêmulas

Desenvolvimento de bócio

Desenvolvimento de bócio

Prisão de ventre

Evacuações mais frequentes

Unhas mais fracas e quebradiças

Aumento do apetite

Pele e cabelo mais secos

Transpiração excessiva

Irregularidade menstrual e fertilidade

Irregularidade menstrual e fertilidade

Letargia e Sonolência

Insônia


Hipotireoidismo e a mulher

A probabilidade de mulheres com hipotireoidismo apresentarem concomitantemente sintomas ansiosos e depressivos é cinco vezes maior do que em mulheres com a função da tireóide normais.

O hipotireoidismo está associado à infertilidade, mas a relação com tireoidite autoimune e com hipotireoidismo subclínico ainda é controversa.

Embora ainda não haja dados suficientemente fortes para demonstrar o impacto na taxa de gravidez, de aborto espontâneo e de nascidos vivos (desfechos primários), o hipotireoidismo subclínico ou a tireoidite autoimune parecem ter efeitos secundários, como a diminuição da reserva ovariana ou da qualidade de oócitos.

A probabilidade de mulheres com hipotireoidismo apresentarem concomitantemente sintomas ansiosos e depressivos é cinco vezes maior do que em mulheres eutireoidianas. Em função das altas prevalências de hipotireoidismo e depressão observadas na prática clínica, sintomas depressivos devem ser investigados em pacientes com disfunção tireoidiana, e pacientes deprimidos devem ser testados com TSH.


Tratamento dos Distúrbios da Tireóide

Em geral, o tratamento para problemas de tireóide em mulheres costuma envolver o controle de reposição hormonal, por meio de exames de sangue que avaliam a dosagem de TSH no organismo, hormônio responsável pela produção dos hormônios tireoidianos T3 e T4.

Em casos de hipotireoidismo, por exemplo, quando a produção da tireóide está baixa, é feita a reposição hormonal com uma versão sintética do hormônio T4, de acordo com orientação médica.

Já nos casos em que o mau funcionamento da tireóide surge momentaneamente, como em algumas pacientes no pós-parto ou por efeito colateral de medicamentos, essa reposição de hormônios pode não ser necessária.

Recomenda-se apenas aguardar as funções da tireoide se normalizarem com o tempo ou suspender o medicamento que deu origem ao problema.

Porém, nos casos crônicos, o tratamento de tireóide geralmente é feito por toda a vida.

O TSH alto é um indicativo de que a tireóide não está produzindo hormônio suficiente e, quando o TSH está baixo, é um sinal de que a glândula está produzindo excessivamente. Para saber quando o TSH está alterado, é preciso consultar os valores de referência, que variam de acordo com a idade.

Em mulheres adultas, por exemplo, o valor de TSH considerado normal é entre 0,3 e 4,0 (?UI/mL).

Já para mulheres grávidas, os valores referência são diferentes, sendo:

? 1º trimestre da gravidez: o valor de TSH considerado normal é entre 0,1 e 3,6 mUI/L (?UI/mL);

? 2º trimestre da gravidez: o valor de TSH considerado normal é entre 0,4 e 4,3 mUI/L (?UI/mL);

? 3º trimestre da gravidez: o valor de TSH considerado normal é entre 0,4 e 4,3 mUI/L (?UI/mL).

É importante lembrar a importância de procurar sempre um especialista para o diagnóstico correto e tratamento das doenças da tireóide. O endocrinologista é o médico especializado no tratamento dessas doenças, assim como seu ginecologista também pode tratar.

Fonte: Dr. Marcelo Antonini-Médico Mastologista, Obstetra e Ginecologista-CRM:108731

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