Coluna do Dainese
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Egoísta X Altruísta

Quem é você na crise ?

Por Nação Sampa News em 18/05/2020 às 21:55:52

Cauê Bonici: Escritor, Palestrante, Coach e Practitioner em PNL


Nome: Cauê Bonici
Escritor, Palestrante, Coach e Practitioner em PNL
Canal Youtube: Cauê Bonici
Coluna: Sociedade e Comportamento


Um período de crise sempre promove reflexões diversas, sobre os mais diferentes assuntos. Atualmente, não é incomum vermos a criatividade sendo manifesta de maneiras distintas, alguns buscando aproveitar a inédita situação para promover discussões pertinentes enquanto outros tantos optam pela abordagem conspiracionista ou romântica. A verdade aqui é que não há verdade, estamos no período de maiores incertezas do século e qualquer previsão é completamente imprevisível. Mas, pensando bem, existem algumas quase-certezas, pautadas em muitos estudos desenvolvidos e em algumas poucas experiências que a nossa espécie já vivenciou. Uma delas (senão a maior delas), é que durante um surto viral o distanciamento é eficaz. E ainda que hajam aqueles que discutem a eficácia desse método, existe uma lógica que é bastante racional. O vírus precisa de um hospedeiro e não sobrevive por muito tempo fora de um organismo vivo, portanto, ao nos isolarmos, evitamos novos contágios e, se não houver a possibilidade desse vírus se multiplicar, contagiando outras pessoas, em certo momento será extinto. Independentemente da sua avaliação a respeito desse momento que vivemos, é notório que temos diferentes níveis de preocupação e precaução em relação ao vírus, que vão desde o histerismo até a completa descrença no assunto, e essas convicções distintas inspiram atitudes igualmente distintas, que vão desde o completo isolamento sob a crendice de que o mundo está no fim quanto aqueles que preferem buscar os órgãos legais para lutar pelo direito de frequentar estabelecimentos sem precisar respeitar as mínimas diretrizes de saúde. Todos esses exemplos relatados são minorias, eu sei. São exceções que jamais devem ser tratadas como regras. A regra, ou seja, a maioria em nossa situação está se adequando a viver como for possível sonhando com o dia de ser vacinado(a) e torcendo para que não surja outro vírus contagioso tão cedo, e é para esses que eu destino a reflexão desse texto. E tal pensamento passa por um conceito presente naquele que é o meu livro favorito "A Nascente" de Ayn Rand. A história do livro narra a trajetória de Howard Roark, um arquiteto que renega o que lhe é imposto pelo senso comum sobre o que deve ser considerado correto e belo em razão de suas convicções pessoais e artísticas. Como conceito, podemos dizer que é uma obra que explora o conflito do Homem contra a Massa, a batalha do Indivíduo contra o Coletivo. Em todo trabalho de Rand também encontramos a subversão de temas que somos educados a tratar como verdades absolutas em nossa educação, o egoísmo e o altruísmo. A autora defende que o egoísmo, ao contrário do que prega o senso comum, é algo imprescindível e necessário para a satisfação de uma pessoa, ou seja, devemos pensar em nós mesmos primeiro e buscarmos a felicidade por nossos próprios meios e méritos, antes de cogitarmos a hipótese de nos doarmos ao próximo. Nesse contexto, altruísmo seria um conceito nocivo que leva as pessoas a cederem sua própria existência em razão de outrem. O nome dessa corrente filosófica é Objetivismo. E essa abordagem pode ser aplicada a todas as áreas da vida de uma pessoa, inclusive, nos relacionamentos afetivos. Quando questionada como funcionaria uma relação amorosa dentro dessa filosofia, Ayn Rand diz que as pessoas não se apaixonam sem motivos, que a moeda de troca de uma relação são os valores encontrados no outro, pois, se não houvesse uma razão que justificasse o amor, nós seríamos capazes de amar todas as pessoas involuntariamente e indiscriminadamente, portanto, se vivêssemos sob os preceitos do Objetivismo, teríamos valores tão fortalecidos e notórios que atrairíamos apenas pessoas com verdadeiro interesse naquilo que temos a ofertar. Sob esta ótica, até mesmo questões emocionais (como o amor) devem ser tratadas com racionalidade, isso é um dos fundamentos dessa filosofia. Porém, eu não trouxe esse conceito a toa, minha intenção é traçar um paralelo entre o que entendemos por egoísmo e altruísmo, e como temos vivido a pandemia sob esses preceitos. Como mencionei no início do texto, do pouco que sabemos, apenas podemos afirmar que existe eficácia no distanciamento/isolamento social, porém numa realidade capitalista como a nossa, a ideia de fechamento de comércios e ambientes públicos é devastadora, não apenas pelo caráter econômico, mas também pelo caráter social. E em resposta a medidas que para alguns parecem inconcebíveis, praticamente todos os países ocidentais registraram protestos contra essa prática, o que é compreensível, mas... emocional. Não há margem para emoção irracional dentro do Objetivismo, portanto, se aplicássemos essa lógica em sua totalidade, o que provavelmente veríamos seria uma sociedade autoconsciente e que, por se preocupar consigo primeiro, optaria por agir de maneira racional, aplicando o conhecimento que se tem experiência e, com isso, atingir a compreensão total da eficácia do isolamento social que poderia fazer com que todos sofressem um pouco para que poucos precisassem sofrer muito. Numa realidade objetivista, talvez as pessoas teriam a verdadeira compreensão da sua estatura e importância dentro da sociedade que habitam e, de maneira lógica, poderiam, cada um em seu próprio egoísmo, trabalhar juntos e solucionar essa complexa questão... racionalmente.

Fonte: Cauê Bonici

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